quarta-feira, 3 de julho de 2013

De repente Big Field



Localização

Primeiramente considero interessante situar onde o estado está localizado. Muitos de nós do sudeste muitas vezes não paramos para analisar o mapa do Brasil com carinho. Pertencente ao Centro Oeste brasileiro, o Mato Grosso do Sul faz fronteira com as regiões Sul e Sudeste e com Paraguai e Bolívia. Pantanal, Bonito, fazendas e terras indígenas são as principais referências para leigos como eu.

Após a agradável amizade firmada com representantes do Mato Grosso do Sul, diante do desejo de explorar este país ao máximo e beneficiado por uma generosa promoção da Gol, decidi rumar ao Centro-Oeste, inicialmente no intuito de conhecer Campo Grande rapidamente e partir para Bonito, aclamado reduto de belezas naturais. Devido aos protestos que abalaram a rotina do gigante brasileiro, tive que mudar a ida e descartar Bonito do roteiro. Ficou então a oportunidade de conhecer a capital e nesse embalo rumei para Campo Grande.

Mato Grosso x Mato Grosso do Sul

Na chegada a Campo Grande aprendi uma lição muito importante: jamais esquecer do complemento DO SUL ao mencionar o estado. Rola uma rixa forte com o Mato Grosso, normal considerando que em todo lugar para qual viajo é possível identificar alguma rixa. Capital x Interior, Paraíba x Pernambuco, Rio Grande do Norte x Paraíba e por aí vai, sem esquecer da clichê e acredito eu já superada rixa Rio x São Paulo. Enfim, essa observação é interessante porque umas três vezes esqueci o DO SUL e prontamente me chamaram atenção, com razão, do absurdo que eu estava cometendo.

Cidade pacata

Campo Grande apesar de capital é muito pacata. Mas pacata mesmo. De percorrer a principal avenida da cidade em pleno domingão e não se deparar com nenhuma grande movimentação. Um jogo de futsal para comprovar que futebol não é o forte do estado, uma manada de mais de 100 skatistas fechando a rua com direito a anãozinho tirando onda e adolescente caindo porque fez pose pra foto. É, acho até que dei sorte. Cheguei a esbarrar e participar de uma manifestação. Mas o fato é que a cidade é bem pacata. Pra quem curte sossego e busca um lugar bem tranqüilo pensando numa vida serena, é uma ótima pedida. 

Muito verde, muitos animais

Uma coisa muito legal de Campo Grande é que tem muito verde, animais e tudo mais. Eu não dei essa sorte, mas é possível bater de frente com araras ao caminhar pela principal avenida. Vi muitos pássaros o tempo todo, e muito verde, peixes e outros animais no Parque das Nações Indígenas. Um ótimo passeio de domingo diga-se de passagem. No Parque rola uma concha acústica também, com shows. Dei sorte de novo, assisti a passagem de som e uma banda de reggae.   

Afonso Pena

Já citei a principal avenida nos dois parágrafos anteriores. Pois bem, tudo que você precisa saber pra se virar são essas duas palavras "Afonso Pena". A Avenida Afonso Pena corta diversos bairros e concentra nela ou perto dela os principais atrativos de Campo Grande. Em algum momento você pode lembrar do comercial do Posto Ipiranga, eu pelo menos lembrei. Onde fica o Quiosque? Afonso Pena. Onde fica o Shopping? Afonso Pena. Onde fica o Parque? Afonso Pena. Cheguei a achar que ia fazer alguma pergunta que pessoas na rua iam responder "rapaz, não sei, melhor perguntar na Afonso Pena…", mas não rolou.

Hospedagem

Sobre a hospedagem, fiquei em um hotel próximo ao antigo terminal rodoviário. Humilde, satisfatório, perto da Afonso Pena, mas no foco do submundo sul-matogrosense. Eu curto ter contato com esses ambientes, sou fascinado por submundos, mas muita gente não gosta. Até porque não é muito prudente dar sopa para o azar nesses lugares. Recomendo o Íbis, que fica perto dos principais lugares de Campo Grande e apresenta nacionalmente a melhor relação custo x benefício. Não, não estou ganhando uma grana do grupo Accor. Mas viajando pelo Brasil é impossível não constatar que a rede de hotéis dos franceses realmente deu certo. 

Transportes

No Centro-Oeste, assim como no Nordeste, a maioria das pessoas que eu conheço priorizam ter um carro. No Rio de Janeiro, é bem diferente pensando em termos de mobilidade. É normal que algumas pessoas abram mão de ter carro, até porque além de maiores gastos que em outras regiões, temos muitas blitz Lei Seca e outros inconvenientes. Em Campo Grande, o sistema de ônibus é fraco e os táxis são caros. O melhor meio de transporte pra quem não tem carro acredito que seja o mototáxi. Foi o meu meio de transporte oficial. Mais rápido, mais barato que o táxi e aquela adrenalina da sua vida na mão de um desconhecido.  

Comidas

O Mato Grosso DO SUL tem um forte colônia japonesa, o que tornou o macarrão tradicional sobá uma comida típica do estado. Lembra de leve um yaksoba, mas carregado de cebolinha e cheiro verde ao invés daquele mix de legumes. Prefiro yaksoba mas curti. Um bom lugar para comer é na Feira Central, que concentra vários restaurantes servindo sobá, yaksoba e outras opções de rango. No mercado também possível comer doces saborosos e comprar itens de utilidade geral como capinha de celular, coisas assim.

Almocei também na Peixaria Ceará, na Dom Aquino. Ótima comida. No dia em que comi lá várias opções do peixe pintado se destacavam.   




Nights Sertanejas

O forte da night campo-grandense é o sertanejo. As duas principais casas noturnas são administradas pelo mesmo grupo: Valley Acoustic Bar e Valley Pub.

Fui orientado a chegar cedo na Valley Acoustic Bar no sábado para evitar mofar na fila.  Na espera pra entrar, comecei a reparar nas mulheres. Muito brilho, muito dourado, prateado, muita luz, muita maquiagem, tudo combinando, roupas elegantes. O resultado é interessante mas é uma beleza forjada. Como em Goiás foi parecido, desconfio que no Centro-Oeste cada mulher tenha o seu próprio estilista. Claro que nunca é tarde para conhecer alguma mulher com a beleza natural aguçada sem uma tonelada de maquiagem, linda, com nome lindo, inteligente e apaixonante. Mas enfim. Entrando na boate, antes de encontrar conhecidos, me senti um completo estranho no ninho. Acho que essa parte o MS herdou do Sul, todo mundo fechado no seu grupo, sem brecha para intervenções. Tem que conhecer pelo menos uma pessoa.

Depois que encontrei conhecidos foi mais fácil me adaptar. De qualquer forma quando o som começou a rolar, fiquei realmente perdido. A night sertaneja no Centro-Oeste é muito interessante porque a galera realmente se empolga cantando as músicas. Mas quem vem de fora muitas vezes fica perdido nas letras e consequente empolgação. Comemorava quando rolava um Zezé di Camargo e Luciano, mas foram só duas ou três músicas. Da próxima vez vou estudar, fazer um intensivo com as mais tocadas na região.

No dia seguinte tive a oportunidade de escolher entre um pagode e a outra Valley (Valley Pub). Quase optei pelo pagode mas pensei legal, pô o forte daqui é o sertanejo. Sábia decisão. Claro que nunca é tarde para conhecer alguma mulher com a beleza natural aguçada sem uma tonelada de maquiagem, linda, com nome lindo, inteligente e apaixonante. Entrando na casa, algumas semelhanças com a outra Valley. Decoração antiga e luxuosa, um misto interessante de retro e glamour. O ambiente é apertado, todo mundo se encosta, alguns tentam dançar mas as limitações de espaço não favorecem muito. Também tentei dançar e putz, preciso voltar a fazer aulas. Era um domingo e tive a oportunidade de assistir uma cantora da velha guarda do sertanejo chamada Delinha. Ela fazia parte de uma dupla chamada Délio e Delinha, aclamada pelo MS mas que foi desfeita com a partida do Délio. Delinha segue firme e forte emocionando e animando o público.

Após essa breve passagem voltei ao Rio de Janeiro satisfeito mas com a meta de voltar ao estado para conhecer Bonito e posteriormente o Pantanal. Agradeço aos amigos pela receptividade e espero poder retribuir aqui no Rio.

Atualizando o placar, agora são 16 de 27 unidades federativas conquistadas! Sigo firme na missão de fechar o mapa do Brasil! Pé na estrada e vamo que vamo!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Memórias de um viajante solitário


Booooooooom dia, Rio de Janeiro! Salve, salve Brasil...

Com esse post começarei a dividir um pouco das reflexões decorrentes das impressões registradas pela minha última incursão ao nordeste... ao mesmo tempo, torna-se inevitável as comparações com o Rio de Janeiro. Daria um filme e muito mais, mas me contentarei com breves momentos onlines no melhor estilo Forrest Gump.

Primeiramente: trata-se não apenas de conhecer paisagens bonitas, tirar fotinhos marotas e pagar de turistão na terra dos outros. O tipo de viagem que eu prezo e recomendo é aquela que você consegue se camuflar na multidão dos outros e entender como aquela galera vive e como funciona aquela outra dimensão. Uma espécie de antropologia contemporânea vida loka.

Em 2008, juntei uma grana e resolvi rumar para o Nordeste sem conhecer nada nem ninguém. Eu conhecia apenas Bahia e Alagoas na região e queria descobrir como as coisas funcionavam acima dessas unidades federativas anteriormente conquistadas. Após uma boa análise na relação custo/benefício das promoções tarifárias e lembranças acerca de indicações anteriores, constatei que Natal-Rio Grande do Norte era o lugar longe e mais barato que eu conseguiria chegar. A intenção era ficar 1 semana no albergue, conhecer freneticamente os picos imperdíveis e descer pra outros lugares. Porém o destino, a sorte ou o que quer que seja tratou de agir. Na procura pelo albergue, sob sol escaldante e carregando muito peso, perdido, acabei conhecendo um cara de moto que percebeu qual era a minha busca e indicou o caminho do albergue. Além disso, deixou no ar que alugava uns kitnets na frente do albergue, caso eu quisesse conferir. O resultado é que no primeiro dia lá estava eu, em meio a um churrasco dos moradores escutando música brega e bebendo Montilla (uma bebida até então desconhecida para mim). Permaneci 1 mês em Natal e nunca entrei no albergue. 

Esse foi o ponto de partida para reafirmar a ideia de que viajar sozinho e permanecer muito tempo no local como local abre portas, impõe dificuldades e faz você entrar em contato com pessoas que muito dificilmente cruzariam o seu caminho na estrada dessa vida. Portanto, nessa categoria de viagem, viajar não é apenas  contemplar belezas naturais na cia de miguxos oriúndos da mesma dimensão que você. Torna-se um fortíssimo processo reflexivo interno aliado a um curso de MBA em interações múltiplas. E claro, a viagem só acaba quando termina.

Aos poucos irei traçar um panorama acerca das unidades federativas exploradas: Paraíba e Sergipe. Obrigado a receptividade de todas as pessoas próximas no retorno...  vamo que vamo, o tempo urge e a Sapucaí é grande!!!!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Insatisfação em parecer insatisfeito

Dizem que eu reclamo muito da vida, mas eu vou reclamar disso. Em minha defesa: resumo a dizer que não me contento com resulltados não-satisfatórios e que momentos de revés são muito mais interessantes para fazer piada. Fazer questão de expor momentos positivos, isso sim me parece forçado. "Muuuuuuuito feliz", não vejo graça em postar, quando estou muito feliz dificlmente estou perto da internet. Ok, fazendo um balanço eu realmente posto mais reclamações do que bajulações ou afins. Minha conclusão é que a culpa está nas próprias redes sociais, que permitem e impulsionam a vigilância alheia que por sua vez permite chegar a essa conclusão que eu reclamo muito.

Sou feliz, mas poderia ser mais. Sofro da síndrome do aperfeiçoamento, onde sou agradecido por tudo que tenho mas não consigo me conformar perante aquilo que almejo e mereço alcançar. Dessa forma às vezes sou meio rude, e consequentemente mal interpretado. Mas continuo sendo eu. Alguém que não consegue forjar sorrrisos e paga um preço muito caro por isso. Alguém que aparenta ser dramático e talvez seja. Não quero justificar isso, apenas questionar a importância que é dada para tal fato.

As mil qualidades aparecem apagadas, em segundo plano, enquanto o que eu mais queria demonstrar eram elas, as mil, em efervescência, a pleno vapor. Não escrevo isso querendo nada além de externar a minha insatisfação em parecer insatisfeito para quem eu não queria parecer insatisfeito. Muito difícil de entender? Talvez. Mas o mais difícil já foi superado. Os reais motivos que colocam alguém pra baixo já foram superados. Muito antes desse questionamento. Ando com duas pernas e posso chegar muito longe graças a isso.

Triste é ser analisado de longe, onde cada passo é condenável ou aplaudível e qualquer motivo é entendível. Bom, eu realmente continuo me incomodando com muitas coisas. Mas num grau de bolação mínimo, que infelizmente a comissão julgadora não capta. O pior já passou, o melhor estar pra vir.

Encerro com uma carinha feliz em protesto e com a plena consciência que eu deveria ter sido mais claro e escrito muito mais, mas não tenho vontade por enquanto.

=D

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A Ansiedade do Protagonista


Nossa história se passa precisamente nos anos dois mil e alguma coisa. Portanto, para deleite dos mais novos e indagações dos mais velhos, é normal que algumas tramas comecem ambientadas no âmbito virtual. O protagonista excerce um papel de intermediário entre público e mídia, convivendo assim com muitas pessoas. Por vezes, tal personagem esbarra com belos sorrisos no meio da multidão. Alguns bonitos, outros nem tanto. Ao esbarrar com o mais cativante deles, houve relutância. Afinal de contas, no meio de milhares de pessoas, ele já havia esbarrado com muitos sorrisos femininos que o fizeram balançar. Mas aquele sorriso voltava, e voltava. Junto com ele vinham pequenas impressões sobre um forte interesse em comum. Até quem um dia... escondidinho de carne da vó? Realmente, aí foi demais. Por trás de uma identidade secreta, nosso herói estabelece ali uma singela interação. Mais que isso, se vê impulsionado a ir no mercado comprar um escondidinho congelado. Não podia ser normal aquilo, mas o protagonista segue em frente. Afinal de contas, são realidades diferentes, distintas, existem barreiras... e isso sem contar o pequeno detalhe da identidade secreta!

O tempo passou, e aquele sorriso sempre esteve ali. As barreiras continuaram as mesmas. A vida segiu. Após uma triste decepção futebolística-amorosa, o protagonista compartilha suas frustrações com o público. A mesma multidão que lhe oferece sorrisos, também oferece palavras de incentivo. No meio de muitas tentativas, apenas uma pessoa consegue fazer o cidadão repensar e se reerguer. Por ironia do destino, tinha que ser justamente a mesma mulher, aquela do escondidinho, da fotinho que, no meio de tantas, teimava em chamar a atenção do protagonista.

Foram apenas dois momentos marcantes e tantos outros que passaram desapercebidos por um olhar platônico. Afinal, são realidades distintas, e ainda tem a identidade secreta... talvez se tivesse sido outro sorriso, outra fotinho, o caminho desse personagem teria sido mais fácil. Mas era ela.

O tempo passa mais um pouco e nosso protagonista cai. Desanimado, desacreditado ele resolve abandonar o seu posto de intermediário temporariamente. A multidão clama por esclarecimentos e no meio dela, adivinhem, aquela fotinho, aquele sorriso... junto com a sua despedida ao público, ele julga conveniente explicar a situação para ela. Pronto, identidade secreta revelada. Mas as outras barreiras permanecem intactas. Será? Nada que um vento não possa destruir ou ratificar a sua força. A partir daí duas pessoas aparentemente se acham no meio da multidão. Pequenos detalhes. Com uma sincronicidade avassaladora, descobrem uma infinidade de afinidades e uma vasta gama de assuntos. Nesse ritmo o assunto vai acabar antes de nos conhecermos pessoalmente. Talvez... e ainda existem outras barreiras... talvez.

Ele não tinha todo o tempo do mundo, mas disse que iria esperar. O tempo passou. E passou rápido... não existiam mais barreiras ou preocupações fortes o suficiente para segurá-los, apenas ansiedade pelo tão aguardado momento. E o inevitável está prestes a acontecer... o protagonista encerra aqui o seu relato, feito enquanto ela enche o tanque de gasolina do seu carro. Minutos em câmera lenta, horas que parecem uma eternidade. Em instantes ele irá conhecer a detentora daquele sorriso... talvez tenha sido apenas um devaneio compartilhado. Todavia, talvez tudo realmente faça sentido... e o público de filmes românticos sempre prefere acreditar nessa hipótese.

Em breve saberemos!

sábado, 30 de outubro de 2010

Pensa Rápido Mané...



Pensei....

SERRA NÃO!!!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

No País de Tiririca e Garotinho, Ainda Há Esperança

As Eleições representam muito mais que o cumprimento da democracia, o exercício de um direito, a ESCOLHA DO SEU FUTURO. O rito envolvendo a votação representa aquele dia de 2 em 2 anos no qual todas as pessoas são obrigadas a sair de casa, da toca, cafofo, puxadinho, barracão ou o que seja. Até pra justificar o voto você tem que se mover... não adianta. O morro todo desce, os ricos saem de seus aposentos, a classe média transita... a pista ferve!

Muitas pessoas, assim como esse humilde narrador, por um misto de preguiça e saudosismo não transferem a seção eleitoral quando mudam de domícilio. Cria-se assim um hábito nostálgico de retorno às origens. Claro que quando faz frio e chove no domingo você se arrepende de ter mantido a seção... dependendo de onde você votar, terá a sensação que o nome ZONA realmente faz jus ao local de votação. Quando a gente acha que já viu quase tudo nessa vida, a menina volta na porta e chama o cachorro "Pantera, vem!". Criança acompanhando na urna eu tô cansado de ver, mas cachorro confesso que foi a primeira vez...

- Enfim... mas e o resultados?
- Resultados, ah sim, os resultados!

Apesar de mais uma confirmação de que no fundo quem manda no Brasil é o PMDB, se analisarmos o primeiro turno podemos destacar pontos interessantes no novo cenário que está sendo criado:


*No âmbito nacional, vitória moral de Marina Silva. Seu discurso e campanha apresentaram erros e contradições, mas a onda verde entrou em uma crescente e foi que foi. 19.636.359 votos (19,33%) que representam uma enorme fatia da população que procura uma alternativa diferente. A falta de outros candidatos com maior expressão, fez com que muitas pessoas enxergassem em Marina uma alternativa frente a richa eterna (vai acabar virando romance um dia) entre PT e PSDB. O eco-capitalismo do PV atingiu índices surpreendentes, mas e agora? Para quem vão os votos de Marina? Cenas dos próximos capítulos.

*Plínio representa um capítulo a parte. Concordo com o meu tio quando diz que o Plínio ganhou prestígio por poder falar o que quisesse, sabendo que não iria ganhar. De certa forma, acho que é por aí. O velinho foi sagaz como ninguém nessa eleição. Quando se viu excluído do Debate Folha/UOL ligou a sua webcam e... golaço! O colossal deu um banho com a sua transmissão alternativa, e nem a Globo ousou deixá-lo de fora depois disso. Foi apenas um dos grandes feitos de Plínio. O mais marcante para mim, porque foi quando tive certeza que era ele que me representava naquela disputa... Parabéns Plínio, foi colosso!


*No cenário carioca, não houve nenhuma surpresa em ver Wagner Montes e Anthony garotinho como campeões de votos nas disputas, respectivamente, para deputado estadual e deputado federal. Também não surpreende ver as crias de Garotinho e Picciani figurando entre os mais votados. A grande e grata surpresa, está nos segundos colocados: o deputado estadual Marcelo Freixo, 177 mil votos, e o deputado federal Chico Alencar, 240 mil votos, ambos do PSOL, ambos reeleitos. Carregam consigo muito mais que um partido ou uma bandeira. Assim como o significado do êxito obtido por Marina e Plínio, os dois deputados representam a esperança de que pode e deve ser diferente. Mais ainda, que podemos e temos força para fazer a diferença.

Não me surpreende nem me assusta que Tiririca tenha alcançado a incrível marca de 1.353.820 votos. Um voto tolo, a famosa molecagem. Só isso. Não poderia existir um deboche maior do que eleger um palhaço de verdade para conviver com tantos outros palhaços enrustidos e diversas outras figuras circences que circulam pelos corredores do Planalto. Um desperdício? Certeza que sim. Mas isso não é nenhuma novidade. Fica assim: agora está escandacarado! E podemos dizer "quer enganar a quem xará?", "nos meus eu confio". A coragem e coerência de Marcelo Freixo renovou a esperança de muitos, que assim como eu, precisavam resgatar o prazer de votar em alguém específico e sabendo muito bem o por que.

Pelo menos em meia dúzia ainda de políticos ainda merecem o nosso voto. São poucos, mas o suficiente para que a desistência seja uma palavra inexistente em nossos dicionários. Nos vemos daqui a 2 anos!

OBS) Fatos importantes ausentes nessa crônica foram propositalmente ignorados ou voltarão como temáticas futuras.

Anexo:
Marcelo Freixo responde os internautas

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sábia Decisão


Saudações!

Por diversas vezes somos questionados sobre a escolha pelo nosso time do coração. Por que você torce para time??? Para muitas pessoas essa é uma resposta fácil, considerando que normalmente existe uma pressão paterna que tem influência direta nessa decisão. No meu caso foi bem diferente…

Se não bastasse ser filho de tricolor, algo que poderia ter sido determinante em uma escolha tão importante, nasci no ano de 1984. Mais que isso, nasci menos de 1 mês da conquista do Brasileirão daquele ano pelo time pó-de-arroz. Meu pai vestiu a minha irmã (2 anos mais velha) com a camisa do Fluminense desde o berço e sempre tirou fotos que constam no álbum da família. Por algum motivo desconhecido que prefiro atribuir a uma explicação divina, ele nunca repetiu o feito com o seu filho mais novo (no caso, eu).

Meus pais se separaram e os anos se passaram… diferente de outras crianças, não fui levado a estádios por imposição. Além disso, fiz o jardim e o ca em um colégio onde futebol não era a temática das prosas entre crianças. As conversas giravam em torno de como fugir daquele lugar e cavar um túnel era o nosso plano preferido… até o dia em que uma das crianças foi flagrada portando uma faca em sua mochila.

Dessa forma, não despertei precocemente o interesse pelo futebol. A situação começou a mudar depois que eu troquei de colégio. No meu novo ambiente escolar, todos as crianças comentavam sobre futebol e (talvez por isso) nenhuma tinha o interesse de fugir dali. No início foi complicada a adaptação. Meus colegas de classe comentavam lances brilhantes dos campeonatos anteriores e dava bastante trabalho para uma criança de 7 anos fingir que lembrava daqueles fatos.

O tempo foi passando, eu já estava a alguns meses na nova escola e ainda não tinha time.

O ano era de 1992. Pra quem considera a CBF uma bagunça, naquela época era muito pior e o calendário era facilmente alterado. Tinha ano que o Brasileirão era disputado no primeiro semestre, em outros no segundo. No presente ano, o campeonato estava sendo disputado no primeiro semestre. Também nesse mesmo ano ocorreu uma histórica conferência ecológica conhecida como ECO-92. No evento, a sensação era a nova invenção revolucionária: o cartão telefônico, que viria a substituir as fichinhas de orelhão. Pois bem, o fato é que a ECO-92 antecipou as férias da criançada para Junho, mês do meu aniversário.

Resultado: em julho de 1992, eu já havia completado 8 anos, curtido minhas férias antecipadas, o Brasileirão chegava ao seu momento decisivo e… eu ainda não tinha time!!! Isso era um problema sério para uma criança que tinha aprendido a gostar de futebol e queria discutir e sacanear com solidez. Foi então que, na semana que antecedia o segundo jogo da final, eu defini que teria que escolher um dos dois finalistas: Botafogo ou Flamengo.

Talvez tenha sido a semana mais importante da minha vida e eu só tinha 8 anos. Naquela época não havia a internet para pesquisar sobre os times e eu não tinha parentes próximos me influenciando nessa escolha. O Flamengo havia ganhado o primeiro jogo por 3 a 0 mas isso não teve peso algum. Um belo dia eu cheguei da escola carregando o meu dilema e me deparei com o noticiário local. O RJTV 2a edição daquela noite trazia uma daquelas clássicas reportagens lights-clichês-pré-decisão ebntre dois grandes clubes cariocas. A reportagem focava no fato dos dois bairros com o nome dos clubes serem vizinhos e contava um pouco da história e perspectivas para o confronto. Ali eu tive certeza, eu era Botafogo, óbvio.

Na mesma semana, recuperei a minha auto-estima mirim e fiz questão de externar para Deus e o Mundo: EU SOU BOTAFOGO! O impacto foi tão forte que um colega de classe mulambinho me convidou para ir a grande final com a sua familia. E lá estava eu, com uma família de flamenguistas nas cadeiras inferiores do Maraca. Como a maioria sabe o setor era misto, portanto qualquer ataque fazia com que todos levantassem. Mesmo em pé, em cima da cadeira e pulando, com 8 anos eu não conseguia atingir a altura suficiente para assistir o jogo. Meu amigo dormiu no colo da mãe e eu me mantive persistente. O Flamengo ganhava de 2 a 1 e aos 43 minutos do segundo tempo… penalti para o Botafogo! Era tarde demais, boa parte da torcida alvinegra já deixava as dependências do Maraca. Foi então que eu consegui ver o lance!

Valdeir correu pra bola e marcou, 2 a 2. Esse foi o placar final, mas pra mim esse jogo sempre foi 1 a 0. Na saída do Maraca, o pai do meu amigo abordou um vendedor e comprou uma bandeira do Botafogo para me presentear. Antes de ter uma camisa do Botafogo, eu tive uma bandeira. Daí pra frente eu passei a falar com tanta convicção “SOU BOTAFOGO” que as portas se abriram naturalmente, tudo fez sentido.

No ano seguinte, dessa vez com 9, eu voltei ao Maracanã para outra decisão (a Conmebol). Apesar de esquecer meu óculos e ver tudo embassado daquele novo ponto de vista chamado arquibancada, pude gritar “É CAMPEÃO”. Mas essa é outra história…

“Você não escolhe o Botafogo, O BOTAFOGO ESCOLHE VOCÊ!”


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Recapitulando



Um post para romper o silêncio.

Toda vez que eu vejo a cara da Dilma ou do Serra, lembro que teremos fortes emoções em outubro e sabe se lá o que vai ser do Brasil com um desses dois no comando. Confesso que adquiri uma implicância com a soberba presidencial do Luiz Inácio, mas quando vejo as opções com reais chances de assumir o cargo máximo de uma pátria, vejo o quanto sentirei falta das gafes do Lula.

No Cenário Estadual, Cabral já ganhou, sejamos realistas. Sem menininho, Lindeberg, Wagner Montes e nem o César Maia na disputa, tudo fica mais fácil para Cabralzinho. Gabeira dificilmente conseguirá projeção em todo o Estado e os outros menos ainda. Triste cenário.

Procedência voltando a ativa, de olho no cotidiano e na campanha eleitoral!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

domingo, 28 de março de 2010

Eu também vou reclamar

Meses se passaram e finalmente o jejum da palavra está sendo quebrado... Eu juro que gostaria de retomar as atividades por outro motivo, um que fosse útil de fato. Porém, entretanto, contudo, a quantidade de atrocidades que eu tenho lido/ouvido sobre o BBB me retomam a velha máxima do Mestre Rauzito: EU TAMBÉM QUERO RECLAMAR!


Primeiramente vou reclamar dos grandes pseudo-intelectuais radicais de merda do nosso Brasil. Eles estão na TV, na sua vizinhança e principalmente na sua faculdade. Enchem a boca para falar sobre a decadência do BBB e indagar: "como alguém pode gostar disso?", "ó, por isso que o país está assim" ou "o BBB é um zoológico". Se irritam tanto com o programa mas estão sempre acompanhando o que acontece... E o que seriam dessas pessoas sem o BBB? Precisariam se dar ao trabalho de arranjarem outros alvos e não irião conseguir encontrar um tão forte e significativo.

O realty-show em questão é um prato cheio para os falsos moralistas hipócritas. Para essas pessoas, acho que o correto seria que se calassem e plantassem árvores, afinal de contas enquanto estão falando mal do programa estão perdendo tempo para a luta por mundo melhor. Pois bem, eu quero um mundo melhor mas não planto árvores, sei que estou no erro. Mas não tenho o menor problema em admitir: assim como o povão em sua essência, gosto muito do BBB! Principalmente da parte mais podre da coisa, quando a chapa esquenta e fica todo mundo vidrado nos barracos. É pura diversão!


Confesso que a maneira como o merchan vem sendo colocado, enfiado goela abaixo, me irrita muito. A arrogância de Boninho também me incomoda. Me chama a atenção a reação negativa das pessoas em relação a adoração de mongolóides por algumas pessoas que estão lá dentro. Essas pessoas parecem não perceber que esse é apenas um dos reflexos da personalidade doentia de grande parcela da população brasileira. Aí sim, podemos pensar no absurdo que envolve a Rede Bobo. O câncer é anterior, reflexo da dominação e alienação e o BBB apenas externa um pouco disso.

Observo a aversão que criaram em relação a Dourado. O acusam de bruto, estúpido, grosso e homofóbico, mas na verdade o que torna o incomodo delas ainda maior é o fato dele ter virado uma modinha para os mongolóides. O fato de retardados inventaram uma tal de máfia e falarem os maiores absurdos não pode ofuscar a sagacidade e a coerência de Marcelo Dourado. Falar que ele é grosso tudo bem, mas ele nunca negou isso, não tentou forjar nada. É verdade porém que, talvez por não tentar forjar sua personalidade de forma que escondesse sua ignorância, tenha sido o responsável pela declaração mais infeliz de todos os 10 big brothers. Tal absurdo fez com que a Globo fosse obrigada a prestar esclarecimento por ordem judicial...

Enquanto eu termino esse texto, acabo de ver a defesa verbal de Dourado pelo título. Ele diz nem saber o por que de ter sido tão acolhido, e fala em força, honra, humildade... Um palpite do próprio reflete pelo menos o que eu acho que foi decisivo na sua popularidade: soube ser um bom jogador. Se retardados abraçaram a sua causa isso prova algumas coisas: o problema tão questionado pelos sensores é anterior ao Big Brother, a mentalidade confusa e doentia também é anterior a modinha que envolve a sua participação e as tentativas insistentes em atacá-lo por parte de outros jogadores como Dicésar se mostraram vazias e apelativas.


Para fechar, o público é o grande destaque da décima edição (de forma positiva e principalmente de forma negativa). Falo isso em relação as correntes virtuais de quem apoia Dourado e de quem o critica. Uma análise sólida sobre o assunto eu deixo para os especialistas em psicologia das massas, a quem cabe refletir sobre tudo que vem antes e corrompeu a alma dessas pessoas. Eu me reservo no direto de gostar de big brother, reconhecendo e admirar a eficiência do Dourado jogador.

E pensar que há muito tempo atrás eu andava pela Lapa na sua parte mais suja e esbarrei com o Dourado de olho roxo dando um rolé. Comentei "ih a lá, aquele cara do big brother" e escutei um anônimo qualquer falar "Ah lá aquele babaca do big brother". Achei graça da situação e pensei "que bom que enquanto eu apenas cito ele como um ex-integrante, alguém sempre olhará ele automaticamente como um merda". E vejam só como a vida dá voltas... Nunca imaginei que aquele babaca voltaria a casa tendo uma segunda chance, que chegaria tão longe e muito menos que torceria por ele.

Ah e máfia pra mim é "Máfia Wars", o resto é o resto.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Repetidas / Copa do Mundo

2, 16 (2), 20, 22, 38, 44, 62, 68, 73, 90, 101, 103, 109, 112, 115, 121, 125, 131, 138, 147 (2), 148, 149,182, 189, 190, 195, 196, 201, 202, 212, 218, 225, 235, 243 252, 253, 261, 271 (2), 279, 283, 284, 285, 286, 302, 306, 307, 316, 319, 325 (2), 326, 335, 339 (2), 340 (2), 341, 343, 346 (2), 357, 359, 366, 369, 374 (2), 375, 386, 394, 409, 412, 417, 428, 430, 441 (2), 445, 448, 453, 454, 456, 463, 465, 468 (2), 469, 485, 489 (2), 501 (2), 505, 510, 514, 521, 523, 531 (3), 533 (2), 546, 549, 561, 571, 573, 578 (2), 594, 596, 604, 606, 629, 635, 638

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sábado, 26 de dezembro de 2009

Pedra Fundamental

Salve, salve!

Bom galera, está no ar o Procedência 021. Um espaço para reflexões, críticas, reflexões críticas e o que vier a tona e valer a pena propagar. Basicamente de teor político, talvez humorístico, mas com a plena consciência de querer fugir de rótulos.


Do cotidiano carioca para o mundo, um olhar apurado sobre os fatos. Ou sobre como os fatos são analisados/representados. Falar sobre a vida real. Ir além do Rio das novelas de Manoel Carlos. Lutar contra a hegemonia cultural do eixo Centro-Zona Sul. Mais que isso, estar atento também ao contexto nacional e internacional. Partindo de uma visão de mundo proveniente da cidade vulgo maravilhosa/desespero, captar ou questionar de forma ampla os significados de acontecimentos ao nosso redor.

A hora é essa, o Procedência pede passagem!

Retrospectiva - Insight Insônia

Caros amigos,

enquanto preparo alçadas inéditas dentro dessa nova roupagem, tomo a liberdade de re-publicar os meus textos para o blog do qual eu fazia parte, o Insight Insônia.

A seguir - para o leitor de hipertexto que convencionalmente estiver lendo de cima pra baixo - alguns dos textos que escrevi nos últimos 1 ano e 3 meses de Insights.

Vamo que Vamo!

Marley e a Garça




Caros leitores de hipertexto, para alguns o zapping representa uma arte, para outros um vício insuportável. O fato é que, assim como milhões de pessoas ao redor do mundo, sou um adepto dessa prática. Como todos nós sabemos, centenas de canais de uma tv a cabo não correspondem a idéia de satisfação garantida. Achar algum filme ou programa com o mínimo de qualidade constitui uma árdua missão. E nessas "andanças", recentemente me deparei com Marley e Eu. Trata-se de um daqueles típicos filmes que um dia virão a se tornar agradáveis repetecos de sessão da tarde. Isso, obviamente, pra quem gosta de um filme sessão da tarde. Até porque nem todo mundo valoriza os "filmes-pipoca" feitos para emocionar o espectador.


Diante de uma primeira impressão, ser um best-seller para mim não constitui uma boa referência. Porém, entretanto, todavia, a obra em questão tem o seu diferencial. Normalmente os filmes com animais apelam de todas as formas possíveis, cachorros que falam, papagaios com super-poderes e por ai vai. Marley não é um cachorro convencional, mas nem por isso fala ou tem super-poderes. Sua relação com o seu dono, o jornalista John Grogan (Owen Wilson), reflete muito do que pode significar uma sincera relação entre homem e animal. Mais que isso, como um animal pode acompanhar a vida de uma família. E sabemos que, infelizmente, talvez só seja possível encontrar a mesma pureza dos cachorros nas crianças.


Outro aspecto interessante concentra-se na relação de John Grogan com a sua profissão. A ambição de ser um jornalista renomado e a realidade de escrever sobre assuntos banais acabam ficando de lado, quando o americano é persuadido a assumir uma coluna. Passando a escrever sobre o cotidiano, inclusive sobre Marley, o escritor obtêm prestígio através de um caminho diferente em relação ao que a maioria dos estudantes de comunicação almejam. O sucesso que ele poderia ter alcançado por outro viés aparece representado na figura de Sebastian, amigo bem sucedido no jornalismo investigativo e solteiro convicto.

Sinceramente, os meus planos não vão muito além do que o escritor realiza. Viver de escrever crônicas do cotidiano, com filhos gerados por uma mulher estressada no naipe da Jeniffer Aniston. Morar em um lugar aprazível, escrever com um bom charuto e um óculos na beira do nariz e estar pronto para a qualquer momento aplicar a deixa "relaxa amor, deixa eu te fazer uma massagem". O best-seller eu dispenso.

Retomando. Quando John Grogan resolve mudar de cidade e jornal com o intuito de trabalhar como jornalista de fato, percebe que aquilo não faz mais sentido pra ele. Passa então a tentar convencer o editor a abrir uma brecha que possibilitasse o seu retorno a função de colunista cotidianesco. Talvez alguns considerem uma relação forçada, mas esse filme certamente poderia ser exibido em alguma aula de jornalismo. Contudo, muitos professores de comunicação estão mais preocupados em fazer política, ocupar cargos burocráticos e/ou corrigir provas com observações excêntricas (como um dia desses no qual recebi uma prova com a pérola "retórica contemporânea"... E eu lhes pergunto, o que seria exatamente uma "retórica contemporânea"? E qual a relevância disso nas nossas vidas?).


Em suma, pra mim não importa. Prefiro colunas e crônicas bem escritas do que matérias mecânicas ou artigos acadêmicos verborrágicos. E prefiro também a sinceridade dos animais e das crianças. Sobre as crianças, o inevitável é apenas adiado. Em algum momento nossa pureza acaba sendo corrompida. Felizmente em alguns casos, apenas parcialmente. E nesses casos devemos nos espelhar.

Por fim, eu só tive um cachorro e não rendeu uma história bonita como a do filme. Já tive e tenho alguns gatos, todavia não rendem uma relação honesta como o cachorro possibilita. Mas não me esqueço de um encontro com uma garça. Forçado a realizar um pit stop, ao acaso me deparei com ela... Apenas contemplando o Pão de Açúcar e articulando o seu plano de vôo. Por um instante, estive bem próximo de uma garça. Nenhuma palavra foi dita, entretanto talvez eu tenha aprendido mais com ela do que com muitas pessoas com as quais me deparo pela vida. Leveza, contemplação, simplicidade. E com certeza, Marley e tantos cachorros já ensinaram muito mais aos seus donos do que outros seres humanos ao redor deles.

(15/12/2009)

ITAIPU, WE HAVE A PROBLEM!

Aparentemente era só mais um fim de terça qualquer, desses do meio de semana que a gente já não aguenta mais os jogos da segundona e muito menos as mesmas piadas do Casseta & Planeta. Quando tudo se apagou de repente, ninguém teve noção da gravidade do blackout. Todavia, seja através de rádios, computadores que ainda tinham bateria e/ou via celulares com internet (puta que pariu, sem soberba, como eu fiquei feliz de ter um), aos poucos foi possível entender a real dimensão da cagada.

Parecia um filme-catástrofe, talvez um episódio de além da imaginação... Alguns gritaram o nome de seus times, outros preferiram anunciar a volta de Jesus para buscar o seu rebanho. O clima era estilo Independece Day ou algum pipoca do gênero, naquelas cenas em que se faz o balanço de quem resiste ou não aos ataques: "Perdemos a Europa", "Na Austrália temos resistência!".

As informações eram imprecisas e as pessoas ficaram empolvorosas:"Falta luz em RJ, SP e MG", "Acabou a luz também no nordeste","voltou em Santa Cruz do Rio Pardo!", "O apagão chegou no Paraguai"e por aí vai. Sem contar o boato que repentinamente foi ganhando força: "o reestabelecimento pode levar até 48 horas". Aí já viu, a turma do oba-oba já falava em feriado... Entretanto, para a tristeza de alguns e alegria de muitos, por volta de 1 da matina a luz voltou.Imagina se tivesse sido na sexta-feira 13!


Só sei que desse king kong o governo não conseguiu escapar. Teveblackout na era tucana e também na era Lula. Por uma infeliz coincidência, há 2 semanas atrás, Dilma afirmou (cheia de si) que o Brasil não voltaria a sofrer com apagões. Onde eu quero chegar: não acho que a culpa seja deles, mas existe uma falta de cuidado com o que é dito. O resultado é esse. Ao fazer declarações convictas sobre questões que fogem do controle pleno, temos um precedente/ingrediente para ataques. Ou seja, botam banca para não serem engolidos pelos meios de comunicação e acabam engolidos por eles de qualquer forma. Segue matéria do g1, filhote das organizações globo, fazendo chacota da candidata a sucessão presidencial:


Arte: Vitor Neves

Interessante ressaltar que mais uma vez o twitter foi um dos grandes destaques na circulação imediata de notícias. Aos poucos foi surgindo a informação mais precisa: Itaipu, we have a problem! Pela primeira vez na história, a maior fonte de abastecimento do país nega fogo. Ou melhor, nega luz. Veio então a confirmação: uma queda em 3 linhas de transmissão localizadas entre Paraná e São Paulo. A justificativa oficial (leia-se desculpa caô caô) é bem simples: "condições meteorológicas adversas".

Será que eu apertei algum botão errado? O mistério paira e fica a dúvida no ar... Qual terá sido o real motivo do apagão???Alienígenas fazendo testes? Um marketing viral revolucionário para divulgar a estreia do filme 2012? José Serra cortando a energia numa maquiavélica intriga da oposição? Ou a culpa é da Madonna? Façam suas apostas!

(11/11/2009)

Soberba Presidencial e Hipocrisia "Comunista"



Caros amigos, a vida corrida tem me privado das foleadas de jornal. Todavia, durante uma emissão de resíduos me deparei com uma manchete deveras curiosa: "Lula cita Hitler para atacar PSDB". Tudo bem, a fonte é a mais podre possível. De qualquer forma, apesar de apelações e possíveis distorções - práticas comuns se tratando dolegado de Roberto Marinho - o discurso realizado foi lamentável.

Longe de mim querer defender tucano... Até pela certeza de que os 8 anos de Lula são consideravelmente superiores aos 8 anos de FHC. Além disso, gafe de presidente nunca foi novidade. Entretanto, o tom arrogante de nosso presidente ganha cada vez mais força. No atual episódio Lula caprichou: Afirmações que menosprezam a universidade, farpas em resposta a políticos/intelectuais e auto-vanglorização na qual ele próprio se coloca como ícone.. Não sei a vocês, mas isso realmente me incomoda.

Palavras de Lula: "Eu tinha que provar a todo instante que poderia governar o país . Se fracassasse, iríamos levar mais 150 anos para um operário governar novamente este país". Até consigo entender a linha de raciocínio, mas a soberba é irritante ao desconsiderar o preço que foi pago. Tal fato pode ser exemplificado de maneira muito simples: O discurso em questão foi feito no Congresso do PCdoB, que conta com a participação de nada mais nada menos que o PMDB. Sim, aquele mesmo partido que governa sem governar. Mais comunista impossível, não acham?

Talvez isso soe como um ataque a soberba do nosso Presidente e/ou a hipocrisia e mediocridade do PCdoB. E talvez seja mesmo. Não importa! A verdade é que (no passado) o mesmo Luíz Inácio me avisou que são picaretas com anel de doutor. E eu continuo acreditando nisso...

(07/11/2009)

País Sem Vergonha & Heróis do Cotidiano

Caros leitores de hipertexto, a vida corrida e alguns acontecimentos recentes tornam algumas constatações realmente incômodas.

O assassinato de um coordenador do Afroreggae é algo gritante. Morto reagindo a um assalto, agonizou na frente de uma patrulha da PM que se omitiu ao ocorrido. Mais que isso, a polícia aborda os assaltantes e saqueia os pertences da vítima, liberando os meliantes em seguida. Tudo flagrado pelas cameras de segurança. A justiça será feita?


No Maranhão, o Chapadinha (hein?) tomou de 11 a 0 do Viana, e o mesmo subiu para a primeira divisão desbancando o tradicional Moto. Na maior cara lavada, o zagueiro do Chapadinha fala que não dava pra enxergar a bola. O Presidente da Federação Maranhense de Futebol esclarece que isso é descabido, que dava para enxergar e o caô não colou.

Aí eu penso no PM que rouba o ladrão. Reflito sobre o time da segunda divisão maranhanse que entrega o jogo por 2 mariola... Me surge uma indagação: onde estão nossos heróis em meio a tudo isso?


Não sou a favor de reação em qualquer abordagem criminosa que seja, mas quando eu vejo um daqueles casos extraordinários de olé, fico realmente admirado. O trabalhador oprimido tem a missão de sacar 4 mil reais da empresa no banco. Algum funcionário ou observador "dá o serviço" para o assaltante de stand by, esperando uma presa como essa. O rapaz sai da agência e é abordado pelo criminoso. Naquele segundo, o sujeito é outro. Não é um ser pensante. Trata-se de alguém que reage instintiva e reflexivamente ao momento. Nesse caso, de forma imprudente, nosso herói se afasta do assaltante, mesmo sob ameaça de tiro, pula alguns muros e segue seu caminho. O assaltante segue em preseguição de moto mas não o alcança. Um verdadeiro Ninja Jiraya...

Embora não tenha nada a ver com os casos relatados, coiscidentemente acabo de rever a sequência do "Perfume de Mulher". No filme, o Al Pacino faz papel de ceguinho-maroto, dá uma uma aula de sagacidade e tira onda no tango:
http://www.youtube.com/watch?v=AhJ8tO8bf3A

Sinto raiva do Chapadinha e da PM carioca inescrupulosa... Mas lembro do Ninja e do Al Pacino. Esses exemplos que nos motivam a seguir em frente e acreditar em um mundo melhor.

(22/10/2009)

Confrontos Épicos do Cotidiano ao Senado

Confrontos inevitáveis se tornam inesquecíveis. Torna-se conveniente chamá-los de épicos. Me refiro a idéia de combate em todos os âmbitos possíveis: pessoal, público, político, esportivo ou tudo ao mesmo tempo agora. Do cotidiano corriqueiro ao dia-a-dia do Senado, passando pelo boxe mundial, pretendo traçar um breve panorama dos confrontos que norteiam a cabeça desse que vos fala.

Primeiramente, os que estão ao meu redor diretamente e contam com a minha participação: A infelicidade de ter estatística como matéria obrigatória pode render um duelo extenso e dramático entrehomem x números. Até que um dia, o sujeito se enche de determinação e conta um pouco com a sorte. É possível para alguém que tem uma vida mundana tire 10 em estatística, pode acreditar. Outro bom exemplo consiste na luta homem x máquina. Pernoitado em pleno final de semana, com a missâo de efetuar uma programação de softwares. Sem entender nada do assunto. Combate dos bons... A superação se mostra presente mais uma vez. Vencer números e máquinas consiste em algo deveras honroso nos dias de hoje. Além disso, não esquecerei das lutas que envolvem adversários de carne e osso, o combate homem x homem. No local onde você é local, vem uma manada de meliantes das categorias de base. Um golpe aplicado lindamente tira 2 ao mesmo tempo e um olé - que lembrou o "baila comigo" do Mendonça pra cima do Júnior - resolvem o problema.

Por conseguinte, durante uma insônia corriqueira me deparo com o filme sobre Muhammad Ali. O lutador não enfrentou batalhas apenas dentro do ringue. O Governo Americano, incomodado com a sua popularidade, perseguiu seu talento e sua liberdade. Diante de tal situação, Ali não aceitou a rendição. Como resultado, teve que cumprir uma punição injusta de anos sem poder lutar... Quando finalmente pode reinvindicar o cinturão novamente, o oportunista Don King e as circunstâncias proporcionaram o inusitado: George Foreman x Muhammad Ali, no Zaire. Naquela noite, o episódio conhecido como "The Rumble in the Jungle" transformou o Zaire no centro do mundo. Muitos amantes e especialistas do boxe consideram a maior luta de todos os tempos.

Por último, temos o confronto existente no atual cenário político-nacional. Tenho dificuldades em reconhecer alguém que esteja do nosso lado. Qualquer pessoa de bom senso suspeita ou tem certeza que são todos farinha do mesmo saco. O constante surgimento de escândalos tem feito do Senado o melhor exemplo disparado da sem vergonhice da política brasileira. Quando eu vejo Collor defendendoSarney e apoiando Lula, imagino que alguma coisa está errada. E não para por aí, a gente sabe. De qualquer forma, realmente temos diversos exemplos gritantes de incoerência e falta de ética. Aqueles que um dia falaram sobre um governo diferente seguem a risca os requintes da pilantragem. Tanto que até militantes ferrenhos, aqueles com foto do Lula na parede, estão sendo afetados por cortes salariais injustos e são obrigados a pensar: "logo no Governo Lula". A diferença é o populismo. Mas não é o suficiente para maquiar a verdade quando temos uma Petrobrás patrocinando um congresso da UNE ou uma trupe (me recuso a chamar de tropa) governamental para garantir a permanência de um Coronelismo. Não defendo nenhum lado, porque a conclusão é simples: todos eles estão contra nós!!!

Para fechar, recomendo uma visita ao MUCO - Museu da Corrupção:
http://www.dcomercio.com.br/muco/
Não deixe de comer uma pizza e e visitar a agência de viagens!

(10/08/2009)

Twitter Revolution


Algumas pessoas ainda se orgulham por não saber o que é twitter ou por representarem a resistência e ainda não terem efetuado o cadastro. Porém, não há dúvidas de que é a rede social na moda. Achei um trecho aqui de um trabalho que fiz para a academia sobre twitter. Uma linha parecida com o que o Vlad disse em post anterior sobre famosos e o site. Aprofundando nas relações entre empresas e celebridades, torna-se possível pensar no desenvolvimento de idéias sobre reapropriações das mídias sociais.

"É interessante notar que o twitter foi criado com a simples idéia de ser um microblog no qual você responderia "what are you doing?" em no máximo 140 caracteres. Ou seja, a sua proposta inicial era ser mais uma ferramenta de auto-exposição, na qual as pessoas colocariam seus pensamentos e afins.

Entretanto, tal mídia rapidamente foi vista por famosos e empresas. O que uma coisa tem a ver com a outra? As celebridades trouxeram visibilidade e popularidade para a rede social em questão e com isso, as empresas enxergaram o excelente potencial para práticas de marketing. Além das empresas, a adesão de famosos atrai uma quantidade significativa de novos usuários e consequentemente gera cada vez mais diversas utilidades para o twitter. Uma observação interessante é que os famosos quase sempre utilizam a mídia da maneira que ela foi proposta inicialmente. Dessa forma, influenciam diretamente no crescimento e o consequente surgimento de novas formas de lidar com a ferramenta.

Esse processo, constituído no desenvolvimento de usos que se diferem da proposta inicial, pode acontecer com quase qualquer mecanismo ou ferramenta de internet. Mais interessante ainda, é notar que essas reapropriações quase sempre estão ligadas diretamente a sucessos estrondosos."

(03/08/2008)

Eu Quero Ver Gol - Parte 1


Caros leitores de hipertexto, alguns finais de semana realmente me fazem sentir saudades do que ainda nem aconteceu. O Rio de Janeiro é efervescência, disso acho que ninguém discorda. Talvez esse relato beire para o âmbito pessoal, mas o desejo de ter isso registrado falou mais alto. Faço isso pelo tom nostálgico que esse post terá quando eu revê- lo daqui a 15 anos.

O recorte geográfico limitado é uma espécie de agravante relacionado não apenas a turistas desavisados, mas a muitos moradores da própria
babilônia carioca. Para ilustrar, tem botafoguense que nunca foi aoEngenhão. Claro, algo assim envolve outros méritos que não serão explorados, já que não é o "nosso caso". Evidentemente, existe uma limitação físico-espacial de tempo viável para locomoção. Conseguir atravessar grandes trechos da cidade em curto espaço de tempo é uma arte e exige extrema habilidade.

Sábado
sem sol e dia de jogo, esse humilde narrador resolve ir ao Festival de Jazz no Leblon com alguns comparsas. No coração do bairro, Ataulfo com Dias Ferreira. Policiamento ostensivo para garantir o ir e vir da burguesia, funcionárias do lar uniformizadas na janela, madames, cachorrinhos de madames, casais apaixonados, bebês felizes. Sem esquecer das patricinhas que vestem shorts por cima de calça para serem descoladas, colocam óculos doce & gabannacomprados na última viagem a Europa e usam maquiagem para ir na esquina de casa. Nesse caso específico, o cenário ainda era composto por formosas vendedoras de itaipava latinha a 5 reais e alguns transeuntes. Mas, para sorte de alguns, existe um boteco entre aquela famosa loja de sucos e aquele pomposo restaurante.

A hora foi passando e durante a apresentação de uma banda, o vocalista se refere ao
"maior malandro de todos os tempos ". Nesse momento, ele evoca Madame Satã. Falha grotesca. Todo mundo sabe que o título de "maior malandro de todos os tempos" é do grande Bezerra da Silva. E quem discorda disso não sabe nada sobre malandragem. Perambulando mais um pouco, um flamenguense provoca: -Vocês não deveriam estar no Engenhão? -Nós vamos. O sujeito olha para o relógio descrente...

(27/07/2009)