sábado, 30 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

No País de Tiririca e Garotinho, Ainda Há Esperança

As Eleições representam muito mais que o cumprimento da democracia, o exercício de um direito, a ESCOLHA DO SEU FUTURO. O rito envolvendo a votação representa aquele dia de 2 em 2 anos no qual todas as pessoas são obrigadas a sair de casa, da toca, cafofo, puxadinho, barracão ou o que seja. Até pra justificar o voto você tem que se mover... não adianta. O morro todo desce, os ricos saem de seus aposentos, a classe média transita... a pista ferve!

Muitas pessoas, assim como esse humilde narrador, por um misto de preguiça e saudosismo não transferem a seção eleitoral quando mudam de domícilio. Cria-se assim um hábito nostálgico de retorno às origens. Claro que quando faz frio e chove no domingo você se arrepende de ter mantido a seção... dependendo de onde você votar, terá a sensação que o nome ZONA realmente faz jus ao local de votação. Quando a gente acha que já viu quase tudo nessa vida, a menina volta na porta e chama o cachorro "Pantera, vem!". Criança acompanhando na urna eu tô cansado de ver, mas cachorro confesso que foi a primeira vez...

- Enfim... mas e o resultados?
- Resultados, ah sim, os resultados!

Apesar de mais uma confirmação de que no fundo quem manda no Brasil é o PMDB, se analisarmos o primeiro turno podemos destacar pontos interessantes no novo cenário que está sendo criado:


*No âmbito nacional, vitória moral de Marina Silva. Seu discurso e campanha apresentaram erros e contradições, mas a onda verde entrou em uma crescente e foi que foi. 19.636.359 votos (19,33%) que representam uma enorme fatia da população que procura uma alternativa diferente. A falta de outros candidatos com maior expressão, fez com que muitas pessoas enxergassem em Marina uma alternativa frente a richa eterna (vai acabar virando romance um dia) entre PT e PSDB. O eco-capitalismo do PV atingiu índices surpreendentes, mas e agora? Para quem vão os votos de Marina? Cenas dos próximos capítulos.

*Plínio representa um capítulo a parte. Concordo com o meu tio quando diz que o Plínio ganhou prestígio por poder falar o que quisesse, sabendo que não iria ganhar. De certa forma, acho que é por aí. O velinho foi sagaz como ninguém nessa eleição. Quando se viu excluído do Debate Folha/UOL ligou a sua webcam e... golaço! O colossal deu um banho com a sua transmissão alternativa, e nem a Globo ousou deixá-lo de fora depois disso. Foi apenas um dos grandes feitos de Plínio. O mais marcante para mim, porque foi quando tive certeza que era ele que me representava naquela disputa... Parabéns Plínio, foi colosso!


*No cenário carioca, não houve nenhuma surpresa em ver Wagner Montes e Anthony garotinho como campeões de votos nas disputas, respectivamente, para deputado estadual e deputado federal. Também não surpreende ver as crias de Garotinho e Picciani figurando entre os mais votados. A grande e grata surpresa, está nos segundos colocados: o deputado estadual Marcelo Freixo, 177 mil votos, e o deputado federal Chico Alencar, 240 mil votos, ambos do PSOL, ambos reeleitos. Carregam consigo muito mais que um partido ou uma bandeira. Assim como o significado do êxito obtido por Marina e Plínio, os dois deputados representam a esperança de que pode e deve ser diferente. Mais ainda, que podemos e temos força para fazer a diferença.

Não me surpreende nem me assusta que Tiririca tenha alcançado a incrível marca de 1.353.820 votos. Um voto tolo, a famosa molecagem. Só isso. Não poderia existir um deboche maior do que eleger um palhaço de verdade para conviver com tantos outros palhaços enrustidos e diversas outras figuras circences que circulam pelos corredores do Planalto. Um desperdício? Certeza que sim. Mas isso não é nenhuma novidade. Fica assim: agora está escandacarado! E podemos dizer "quer enganar a quem xará?", "nos meus eu confio". A coragem e coerência de Marcelo Freixo renovou a esperança de muitos, que assim como eu, precisavam resgatar o prazer de votar em alguém específico e sabendo muito bem o por que.

Pelo menos em meia dúzia ainda de políticos ainda merecem o nosso voto. São poucos, mas o suficiente para que a desistência seja uma palavra inexistente em nossos dicionários. Nos vemos daqui a 2 anos!

OBS) Fatos importantes ausentes nessa crônica foram propositalmente ignorados ou voltarão como temáticas futuras.

Anexo:
Marcelo Freixo responde os internautas