quarta-feira, 3 de julho de 2013

De repente Big Field



Localização

Primeiramente considero interessante situar onde o estado está localizado. Muitos de nós do sudeste muitas vezes não paramos para analisar o mapa do Brasil com carinho. Pertencente ao Centro Oeste brasileiro, o Mato Grosso do Sul faz fronteira com as regiões Sul e Sudeste e com Paraguai e Bolívia. Pantanal, Bonito, fazendas e terras indígenas são as principais referências para leigos como eu.

Após a agradável amizade firmada com representantes do Mato Grosso do Sul, diante do desejo de explorar este país ao máximo e beneficiado por uma generosa promoção da Gol, decidi rumar ao Centro-Oeste, inicialmente no intuito de conhecer Campo Grande rapidamente e partir para Bonito, aclamado reduto de belezas naturais. Devido aos protestos que abalaram a rotina do gigante brasileiro, tive que mudar a ida e descartar Bonito do roteiro. Ficou então a oportunidade de conhecer a capital e nesse embalo rumei para Campo Grande.

Mato Grosso x Mato Grosso do Sul

Na chegada a Campo Grande aprendi uma lição muito importante: jamais esquecer do complemento DO SUL ao mencionar o estado. Rola uma rixa forte com o Mato Grosso, normal considerando que em todo lugar para qual viajo é possível identificar alguma rixa. Capital x Interior, Paraíba x Pernambuco, Rio Grande do Norte x Paraíba e por aí vai, sem esquecer da clichê e acredito eu já superada rixa Rio x São Paulo. Enfim, essa observação é interessante porque umas três vezes esqueci o DO SUL e prontamente me chamaram atenção, com razão, do absurdo que eu estava cometendo.

Cidade pacata

Campo Grande apesar de capital é muito pacata. Mas pacata mesmo. De percorrer a principal avenida da cidade em pleno domingão e não se deparar com nenhuma grande movimentação. Um jogo de futsal para comprovar que futebol não é o forte do estado, uma manada de mais de 100 skatistas fechando a rua com direito a anãozinho tirando onda e adolescente caindo porque fez pose pra foto. É, acho até que dei sorte. Cheguei a esbarrar e participar de uma manifestação. Mas o fato é que a cidade é bem pacata. Pra quem curte sossego e busca um lugar bem tranqüilo pensando numa vida serena, é uma ótima pedida. 

Muito verde, muitos animais

Uma coisa muito legal de Campo Grande é que tem muito verde, animais e tudo mais. Eu não dei essa sorte, mas é possível bater de frente com araras ao caminhar pela principal avenida. Vi muitos pássaros o tempo todo, e muito verde, peixes e outros animais no Parque das Nações Indígenas. Um ótimo passeio de domingo diga-se de passagem. No Parque rola uma concha acústica também, com shows. Dei sorte de novo, assisti a passagem de som e uma banda de reggae.   

Afonso Pena

Já citei a principal avenida nos dois parágrafos anteriores. Pois bem, tudo que você precisa saber pra se virar são essas duas palavras "Afonso Pena". A Avenida Afonso Pena corta diversos bairros e concentra nela ou perto dela os principais atrativos de Campo Grande. Em algum momento você pode lembrar do comercial do Posto Ipiranga, eu pelo menos lembrei. Onde fica o Quiosque? Afonso Pena. Onde fica o Shopping? Afonso Pena. Onde fica o Parque? Afonso Pena. Cheguei a achar que ia fazer alguma pergunta que pessoas na rua iam responder "rapaz, não sei, melhor perguntar na Afonso Pena…", mas não rolou.

Hospedagem

Sobre a hospedagem, fiquei em um hotel próximo ao antigo terminal rodoviário. Humilde, satisfatório, perto da Afonso Pena, mas no foco do submundo sul-matogrosense. Eu curto ter contato com esses ambientes, sou fascinado por submundos, mas muita gente não gosta. Até porque não é muito prudente dar sopa para o azar nesses lugares. Recomendo o Íbis, que fica perto dos principais lugares de Campo Grande e apresenta nacionalmente a melhor relação custo x benefício. Não, não estou ganhando uma grana do grupo Accor. Mas viajando pelo Brasil é impossível não constatar que a rede de hotéis dos franceses realmente deu certo. 

Transportes

No Centro-Oeste, assim como no Nordeste, a maioria das pessoas que eu conheço priorizam ter um carro. No Rio de Janeiro, é bem diferente pensando em termos de mobilidade. É normal que algumas pessoas abram mão de ter carro, até porque além de maiores gastos que em outras regiões, temos muitas blitz Lei Seca e outros inconvenientes. Em Campo Grande, o sistema de ônibus é fraco e os táxis são caros. O melhor meio de transporte pra quem não tem carro acredito que seja o mototáxi. Foi o meu meio de transporte oficial. Mais rápido, mais barato que o táxi e aquela adrenalina da sua vida na mão de um desconhecido.  

Comidas

O Mato Grosso DO SUL tem um forte colônia japonesa, o que tornou o macarrão tradicional sobá uma comida típica do estado. Lembra de leve um yaksoba, mas carregado de cebolinha e cheiro verde ao invés daquele mix de legumes. Prefiro yaksoba mas curti. Um bom lugar para comer é na Feira Central, que concentra vários restaurantes servindo sobá, yaksoba e outras opções de rango. No mercado também possível comer doces saborosos e comprar itens de utilidade geral como capinha de celular, coisas assim.

Almocei também na Peixaria Ceará, na Dom Aquino. Ótima comida. No dia em que comi lá várias opções do peixe pintado se destacavam.   




Nights Sertanejas

O forte da night campo-grandense é o sertanejo. As duas principais casas noturnas são administradas pelo mesmo grupo: Valley Acoustic Bar e Valley Pub.

Fui orientado a chegar cedo na Valley Acoustic Bar no sábado para evitar mofar na fila.  Na espera pra entrar, comecei a reparar nas mulheres. Muito brilho, muito dourado, prateado, muita luz, muita maquiagem, tudo combinando, roupas elegantes. O resultado é interessante mas é uma beleza forjada. Como em Goiás foi parecido, desconfio que no Centro-Oeste cada mulher tenha o seu próprio estilista. Claro que nunca é tarde para conhecer alguma mulher com a beleza natural aguçada sem uma tonelada de maquiagem, linda, com nome lindo, inteligente e apaixonante. Mas enfim. Entrando na boate, antes de encontrar conhecidos, me senti um completo estranho no ninho. Acho que essa parte o MS herdou do Sul, todo mundo fechado no seu grupo, sem brecha para intervenções. Tem que conhecer pelo menos uma pessoa.

Depois que encontrei conhecidos foi mais fácil me adaptar. De qualquer forma quando o som começou a rolar, fiquei realmente perdido. A night sertaneja no Centro-Oeste é muito interessante porque a galera realmente se empolga cantando as músicas. Mas quem vem de fora muitas vezes fica perdido nas letras e consequente empolgação. Comemorava quando rolava um Zezé di Camargo e Luciano, mas foram só duas ou três músicas. Da próxima vez vou estudar, fazer um intensivo com as mais tocadas na região.

No dia seguinte tive a oportunidade de escolher entre um pagode e a outra Valley (Valley Pub). Quase optei pelo pagode mas pensei legal, pô o forte daqui é o sertanejo. Sábia decisão. Claro que nunca é tarde para conhecer alguma mulher com a beleza natural aguçada sem uma tonelada de maquiagem, linda, com nome lindo, inteligente e apaixonante. Entrando na casa, algumas semelhanças com a outra Valley. Decoração antiga e luxuosa, um misto interessante de retro e glamour. O ambiente é apertado, todo mundo se encosta, alguns tentam dançar mas as limitações de espaço não favorecem muito. Também tentei dançar e putz, preciso voltar a fazer aulas. Era um domingo e tive a oportunidade de assistir uma cantora da velha guarda do sertanejo chamada Delinha. Ela fazia parte de uma dupla chamada Délio e Delinha, aclamada pelo MS mas que foi desfeita com a partida do Délio. Delinha segue firme e forte emocionando e animando o público.

Após essa breve passagem voltei ao Rio de Janeiro satisfeito mas com a meta de voltar ao estado para conhecer Bonito e posteriormente o Pantanal. Agradeço aos amigos pela receptividade e espero poder retribuir aqui no Rio.

Atualizando o placar, agora são 16 de 27 unidades federativas conquistadas! Sigo firme na missão de fechar o mapa do Brasil! Pé na estrada e vamo que vamo!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Memórias de um viajante solitário


Booooooooom dia, Rio de Janeiro! Salve, salve Brasil...

Com esse post começarei a dividir um pouco das reflexões decorrentes das impressões registradas pela minha última incursão ao nordeste... ao mesmo tempo, torna-se inevitável as comparações com o Rio de Janeiro. Daria um filme e muito mais, mas me contentarei com breves momentos onlines no melhor estilo Forrest Gump.

Primeiramente: trata-se não apenas de conhecer paisagens bonitas, tirar fotinhos marotas e pagar de turistão na terra dos outros. O tipo de viagem que eu prezo e recomendo é aquela que você consegue se camuflar na multidão dos outros e entender como aquela galera vive e como funciona aquela outra dimensão. Uma espécie de antropologia contemporânea vida loka.

Em 2008, juntei uma grana e resolvi rumar para o Nordeste sem conhecer nada nem ninguém. Eu conhecia apenas Bahia e Alagoas na região e queria descobrir como as coisas funcionavam acima dessas unidades federativas anteriormente conquistadas. Após uma boa análise na relação custo/benefício das promoções tarifárias e lembranças acerca de indicações anteriores, constatei que Natal-Rio Grande do Norte era o lugar longe e mais barato que eu conseguiria chegar. A intenção era ficar 1 semana no albergue, conhecer freneticamente os picos imperdíveis e descer pra outros lugares. Porém o destino, a sorte ou o que quer que seja tratou de agir. Na procura pelo albergue, sob sol escaldante e carregando muito peso, perdido, acabei conhecendo um cara de moto que percebeu qual era a minha busca e indicou o caminho do albergue. Além disso, deixou no ar que alugava uns kitnets na frente do albergue, caso eu quisesse conferir. O resultado é que no primeiro dia lá estava eu, em meio a um churrasco dos moradores escutando música brega e bebendo Montilla (uma bebida até então desconhecida para mim). Permaneci 1 mês em Natal e nunca entrei no albergue. 

Esse foi o ponto de partida para reafirmar a ideia de que viajar sozinho e permanecer muito tempo no local como local abre portas, impõe dificuldades e faz você entrar em contato com pessoas que muito dificilmente cruzariam o seu caminho na estrada dessa vida. Portanto, nessa categoria de viagem, viajar não é apenas  contemplar belezas naturais na cia de miguxos oriúndos da mesma dimensão que você. Torna-se um fortíssimo processo reflexivo interno aliado a um curso de MBA em interações múltiplas. E claro, a viagem só acaba quando termina.

Aos poucos irei traçar um panorama acerca das unidades federativas exploradas: Paraíba e Sergipe. Obrigado a receptividade de todas as pessoas próximas no retorno...  vamo que vamo, o tempo urge e a Sapucaí é grande!!!!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Insatisfação em parecer insatisfeito

Dizem que eu reclamo muito da vida, mas eu vou reclamar disso. Em minha defesa: resumo a dizer que não me contento com resulltados não-satisfatórios e que momentos de revés são muito mais interessantes para fazer piada. Fazer questão de expor momentos positivos, isso sim me parece forçado. "Muuuuuuuito feliz", não vejo graça em postar, quando estou muito feliz dificlmente estou perto da internet. Ok, fazendo um balanço eu realmente posto mais reclamações do que bajulações ou afins. Minha conclusão é que a culpa está nas próprias redes sociais, que permitem e impulsionam a vigilância alheia que por sua vez permite chegar a essa conclusão que eu reclamo muito.

Sou feliz, mas poderia ser mais. Sofro da síndrome do aperfeiçoamento, onde sou agradecido por tudo que tenho mas não consigo me conformar perante aquilo que almejo e mereço alcançar. Dessa forma às vezes sou meio rude, e consequentemente mal interpretado. Mas continuo sendo eu. Alguém que não consegue forjar sorrrisos e paga um preço muito caro por isso. Alguém que aparenta ser dramático e talvez seja. Não quero justificar isso, apenas questionar a importância que é dada para tal fato.

As mil qualidades aparecem apagadas, em segundo plano, enquanto o que eu mais queria demonstrar eram elas, as mil, em efervescência, a pleno vapor. Não escrevo isso querendo nada além de externar a minha insatisfação em parecer insatisfeito para quem eu não queria parecer insatisfeito. Muito difícil de entender? Talvez. Mas o mais difícil já foi superado. Os reais motivos que colocam alguém pra baixo já foram superados. Muito antes desse questionamento. Ando com duas pernas e posso chegar muito longe graças a isso.

Triste é ser analisado de longe, onde cada passo é condenável ou aplaudível e qualquer motivo é entendível. Bom, eu realmente continuo me incomodando com muitas coisas. Mas num grau de bolação mínimo, que infelizmente a comissão julgadora não capta. O pior já passou, o melhor estar pra vir.

Encerro com uma carinha feliz em protesto e com a plena consciência que eu deveria ter sido mais claro e escrito muito mais, mas não tenho vontade por enquanto.

=D

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A Ansiedade do Protagonista


Nossa história se passa precisamente nos anos dois mil e alguma coisa. Portanto, para deleite dos mais novos e indagações dos mais velhos, é normal que algumas tramas comecem ambientadas no âmbito virtual. O protagonista excerce um papel de intermediário entre público e mídia, convivendo assim com muitas pessoas. Por vezes, tal personagem esbarra com belos sorrisos no meio da multidão. Alguns bonitos, outros nem tanto. Ao esbarrar com o mais cativante deles, houve relutância. Afinal de contas, no meio de milhares de pessoas, ele já havia esbarrado com muitos sorrisos femininos que o fizeram balançar. Mas aquele sorriso voltava, e voltava. Junto com ele vinham pequenas impressões sobre um forte interesse em comum. Até quem um dia... escondidinho de carne da vó? Realmente, aí foi demais. Por trás de uma identidade secreta, nosso herói estabelece ali uma singela interação. Mais que isso, se vê impulsionado a ir no mercado comprar um escondidinho congelado. Não podia ser normal aquilo, mas o protagonista segue em frente. Afinal de contas, são realidades diferentes, distintas, existem barreiras... e isso sem contar o pequeno detalhe da identidade secreta!

O tempo passou, e aquele sorriso sempre esteve ali. As barreiras continuaram as mesmas. A vida segiu. Após uma triste decepção futebolística-amorosa, o protagonista compartilha suas frustrações com o público. A mesma multidão que lhe oferece sorrisos, também oferece palavras de incentivo. No meio de muitas tentativas, apenas uma pessoa consegue fazer o cidadão repensar e se reerguer. Por ironia do destino, tinha que ser justamente a mesma mulher, aquela do escondidinho, da fotinho que, no meio de tantas, teimava em chamar a atenção do protagonista.

Foram apenas dois momentos marcantes e tantos outros que passaram desapercebidos por um olhar platônico. Afinal, são realidades distintas, e ainda tem a identidade secreta... talvez se tivesse sido outro sorriso, outra fotinho, o caminho desse personagem teria sido mais fácil. Mas era ela.

O tempo passa mais um pouco e nosso protagonista cai. Desanimado, desacreditado ele resolve abandonar o seu posto de intermediário temporariamente. A multidão clama por esclarecimentos e no meio dela, adivinhem, aquela fotinho, aquele sorriso... junto com a sua despedida ao público, ele julga conveniente explicar a situação para ela. Pronto, identidade secreta revelada. Mas as outras barreiras permanecem intactas. Será? Nada que um vento não possa destruir ou ratificar a sua força. A partir daí duas pessoas aparentemente se acham no meio da multidão. Pequenos detalhes. Com uma sincronicidade avassaladora, descobrem uma infinidade de afinidades e uma vasta gama de assuntos. Nesse ritmo o assunto vai acabar antes de nos conhecermos pessoalmente. Talvez... e ainda existem outras barreiras... talvez.

Ele não tinha todo o tempo do mundo, mas disse que iria esperar. O tempo passou. E passou rápido... não existiam mais barreiras ou preocupações fortes o suficiente para segurá-los, apenas ansiedade pelo tão aguardado momento. E o inevitável está prestes a acontecer... o protagonista encerra aqui o seu relato, feito enquanto ela enche o tanque de gasolina do seu carro. Minutos em câmera lenta, horas que parecem uma eternidade. Em instantes ele irá conhecer a detentora daquele sorriso... talvez tenha sido apenas um devaneio compartilhado. Todavia, talvez tudo realmente faça sentido... e o público de filmes românticos sempre prefere acreditar nessa hipótese.

Em breve saberemos!

sábado, 30 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

No País de Tiririca e Garotinho, Ainda Há Esperança

As Eleições representam muito mais que o cumprimento da democracia, o exercício de um direito, a ESCOLHA DO SEU FUTURO. O rito envolvendo a votação representa aquele dia de 2 em 2 anos no qual todas as pessoas são obrigadas a sair de casa, da toca, cafofo, puxadinho, barracão ou o que seja. Até pra justificar o voto você tem que se mover... não adianta. O morro todo desce, os ricos saem de seus aposentos, a classe média transita... a pista ferve!

Muitas pessoas, assim como esse humilde narrador, por um misto de preguiça e saudosismo não transferem a seção eleitoral quando mudam de domícilio. Cria-se assim um hábito nostálgico de retorno às origens. Claro que quando faz frio e chove no domingo você se arrepende de ter mantido a seção... dependendo de onde você votar, terá a sensação que o nome ZONA realmente faz jus ao local de votação. Quando a gente acha que já viu quase tudo nessa vida, a menina volta na porta e chama o cachorro "Pantera, vem!". Criança acompanhando na urna eu tô cansado de ver, mas cachorro confesso que foi a primeira vez...

- Enfim... mas e o resultados?
- Resultados, ah sim, os resultados!

Apesar de mais uma confirmação de que no fundo quem manda no Brasil é o PMDB, se analisarmos o primeiro turno podemos destacar pontos interessantes no novo cenário que está sendo criado:


*No âmbito nacional, vitória moral de Marina Silva. Seu discurso e campanha apresentaram erros e contradições, mas a onda verde entrou em uma crescente e foi que foi. 19.636.359 votos (19,33%) que representam uma enorme fatia da população que procura uma alternativa diferente. A falta de outros candidatos com maior expressão, fez com que muitas pessoas enxergassem em Marina uma alternativa frente a richa eterna (vai acabar virando romance um dia) entre PT e PSDB. O eco-capitalismo do PV atingiu índices surpreendentes, mas e agora? Para quem vão os votos de Marina? Cenas dos próximos capítulos.

*Plínio representa um capítulo a parte. Concordo com o meu tio quando diz que o Plínio ganhou prestígio por poder falar o que quisesse, sabendo que não iria ganhar. De certa forma, acho que é por aí. O velinho foi sagaz como ninguém nessa eleição. Quando se viu excluído do Debate Folha/UOL ligou a sua webcam e... golaço! O colossal deu um banho com a sua transmissão alternativa, e nem a Globo ousou deixá-lo de fora depois disso. Foi apenas um dos grandes feitos de Plínio. O mais marcante para mim, porque foi quando tive certeza que era ele que me representava naquela disputa... Parabéns Plínio, foi colosso!


*No cenário carioca, não houve nenhuma surpresa em ver Wagner Montes e Anthony garotinho como campeões de votos nas disputas, respectivamente, para deputado estadual e deputado federal. Também não surpreende ver as crias de Garotinho e Picciani figurando entre os mais votados. A grande e grata surpresa, está nos segundos colocados: o deputado estadual Marcelo Freixo, 177 mil votos, e o deputado federal Chico Alencar, 240 mil votos, ambos do PSOL, ambos reeleitos. Carregam consigo muito mais que um partido ou uma bandeira. Assim como o significado do êxito obtido por Marina e Plínio, os dois deputados representam a esperança de que pode e deve ser diferente. Mais ainda, que podemos e temos força para fazer a diferença.

Não me surpreende nem me assusta que Tiririca tenha alcançado a incrível marca de 1.353.820 votos. Um voto tolo, a famosa molecagem. Só isso. Não poderia existir um deboche maior do que eleger um palhaço de verdade para conviver com tantos outros palhaços enrustidos e diversas outras figuras circences que circulam pelos corredores do Planalto. Um desperdício? Certeza que sim. Mas isso não é nenhuma novidade. Fica assim: agora está escandacarado! E podemos dizer "quer enganar a quem xará?", "nos meus eu confio". A coragem e coerência de Marcelo Freixo renovou a esperança de muitos, que assim como eu, precisavam resgatar o prazer de votar em alguém específico e sabendo muito bem o por que.

Pelo menos em meia dúzia ainda de políticos ainda merecem o nosso voto. São poucos, mas o suficiente para que a desistência seja uma palavra inexistente em nossos dicionários. Nos vemos daqui a 2 anos!

OBS) Fatos importantes ausentes nessa crônica foram propositalmente ignorados ou voltarão como temáticas futuras.

Anexo:
Marcelo Freixo responde os internautas

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sábia Decisão


Saudações!

Por diversas vezes somos questionados sobre a escolha pelo nosso time do coração. Por que você torce para time??? Para muitas pessoas essa é uma resposta fácil, considerando que normalmente existe uma pressão paterna que tem influência direta nessa decisão. No meu caso foi bem diferente…

Se não bastasse ser filho de tricolor, algo que poderia ter sido determinante em uma escolha tão importante, nasci no ano de 1984. Mais que isso, nasci menos de 1 mês da conquista do Brasileirão daquele ano pelo time pó-de-arroz. Meu pai vestiu a minha irmã (2 anos mais velha) com a camisa do Fluminense desde o berço e sempre tirou fotos que constam no álbum da família. Por algum motivo desconhecido que prefiro atribuir a uma explicação divina, ele nunca repetiu o feito com o seu filho mais novo (no caso, eu).

Meus pais se separaram e os anos se passaram… diferente de outras crianças, não fui levado a estádios por imposição. Além disso, fiz o jardim e o ca em um colégio onde futebol não era a temática das prosas entre crianças. As conversas giravam em torno de como fugir daquele lugar e cavar um túnel era o nosso plano preferido… até o dia em que uma das crianças foi flagrada portando uma faca em sua mochila.

Dessa forma, não despertei precocemente o interesse pelo futebol. A situação começou a mudar depois que eu troquei de colégio. No meu novo ambiente escolar, todos as crianças comentavam sobre futebol e (talvez por isso) nenhuma tinha o interesse de fugir dali. No início foi complicada a adaptação. Meus colegas de classe comentavam lances brilhantes dos campeonatos anteriores e dava bastante trabalho para uma criança de 7 anos fingir que lembrava daqueles fatos.

O tempo foi passando, eu já estava a alguns meses na nova escola e ainda não tinha time.

O ano era de 1992. Pra quem considera a CBF uma bagunça, naquela época era muito pior e o calendário era facilmente alterado. Tinha ano que o Brasileirão era disputado no primeiro semestre, em outros no segundo. No presente ano, o campeonato estava sendo disputado no primeiro semestre. Também nesse mesmo ano ocorreu uma histórica conferência ecológica conhecida como ECO-92. No evento, a sensação era a nova invenção revolucionária: o cartão telefônico, que viria a substituir as fichinhas de orelhão. Pois bem, o fato é que a ECO-92 antecipou as férias da criançada para Junho, mês do meu aniversário.

Resultado: em julho de 1992, eu já havia completado 8 anos, curtido minhas férias antecipadas, o Brasileirão chegava ao seu momento decisivo e… eu ainda não tinha time!!! Isso era um problema sério para uma criança que tinha aprendido a gostar de futebol e queria discutir e sacanear com solidez. Foi então que, na semana que antecedia o segundo jogo da final, eu defini que teria que escolher um dos dois finalistas: Botafogo ou Flamengo.

Talvez tenha sido a semana mais importante da minha vida e eu só tinha 8 anos. Naquela época não havia a internet para pesquisar sobre os times e eu não tinha parentes próximos me influenciando nessa escolha. O Flamengo havia ganhado o primeiro jogo por 3 a 0 mas isso não teve peso algum. Um belo dia eu cheguei da escola carregando o meu dilema e me deparei com o noticiário local. O RJTV 2a edição daquela noite trazia uma daquelas clássicas reportagens lights-clichês-pré-decisão ebntre dois grandes clubes cariocas. A reportagem focava no fato dos dois bairros com o nome dos clubes serem vizinhos e contava um pouco da história e perspectivas para o confronto. Ali eu tive certeza, eu era Botafogo, óbvio.

Na mesma semana, recuperei a minha auto-estima mirim e fiz questão de externar para Deus e o Mundo: EU SOU BOTAFOGO! O impacto foi tão forte que um colega de classe mulambinho me convidou para ir a grande final com a sua familia. E lá estava eu, com uma família de flamenguistas nas cadeiras inferiores do Maraca. Como a maioria sabe o setor era misto, portanto qualquer ataque fazia com que todos levantassem. Mesmo em pé, em cima da cadeira e pulando, com 8 anos eu não conseguia atingir a altura suficiente para assistir o jogo. Meu amigo dormiu no colo da mãe e eu me mantive persistente. O Flamengo ganhava de 2 a 1 e aos 43 minutos do segundo tempo… penalti para o Botafogo! Era tarde demais, boa parte da torcida alvinegra já deixava as dependências do Maraca. Foi então que eu consegui ver o lance!

Valdeir correu pra bola e marcou, 2 a 2. Esse foi o placar final, mas pra mim esse jogo sempre foi 1 a 0. Na saída do Maraca, o pai do meu amigo abordou um vendedor e comprou uma bandeira do Botafogo para me presentear. Antes de ter uma camisa do Botafogo, eu tive uma bandeira. Daí pra frente eu passei a falar com tanta convicção “SOU BOTAFOGO” que as portas se abriram naturalmente, tudo fez sentido.

No ano seguinte, dessa vez com 9, eu voltei ao Maracanã para outra decisão (a Conmebol). Apesar de esquecer meu óculos e ver tudo embassado daquele novo ponto de vista chamado arquibancada, pude gritar “É CAMPEÃO”. Mas essa é outra história…

“Você não escolhe o Botafogo, O BOTAFOGO ESCOLHE VOCÊ!”